Herbário de Itajaí descobre seis plantas novas

Herbário de Itajaí descobre seis plantas novas

Estudo realizado no Herbário Barbosa Rodrigues (HBR), localizado na região central de Itajaí, resultou na descoberta de seis plantas que não possuíam registros anteriores na ciência. O achado foi liderado pelo curador do espaço, o biólogo Luís Adriano Funez, vinculado à Universidade do Vale do Itajaí (Univali), e contou com a colaboração dos pesquisadores Rafael Trevisan (Herbário Flor/UFSC) e André Luís de Gasper (Herbário Dr. Roberto Miguel Klein/FURB), além do biólogo Douglas Meyer e do botânico amador Paulo Schwirkowski.

A pesquisa revisou o gênero Thaumatocaryon (Boraginaceae) e foi publicada no periódico neozelandês Phytotaxa. Conforme o estudo, o gênero era conhecido por ter três espécies, mas a análise constatou a existência de nove espécies diferentes. Cinco são completamente inéditas e uma foi reestabelecida. A investigação, realizada sem financiamento de pesquisa, analisou material de herbários no Brasil e na Argentina, inclusive consultando exemplares digitalizados pela internet.

A descoberta ganhou impulso após intrigar o pesquisador há cerca de cinco anos, quando um exemplar do acervo do HBR não se encaixava em nenhuma das espécies conhecidas. Conforme Funez, “as plantas da família Boraginaceae são muito utilizadas na medicina e possuem diversos compostos bioativos conhecidos. No entanto, esse conhecimento está restrito às plantas nativas da Europa e da Ásia, pois as espécies brasileiras, como a Thaumatocaryon, nunca foram sequer prospectadas”. O estudo descreve os limites morfológicos e geográficos de cada espécie identificada.

Segundo a pesquisa, três das seis espécies novas são conhecidas apenas pelos exemplares antigos de herbários, datados há várias décadas. Funez suspeita que as alterações humanas nos habitats naturais ao longo dos últimos anos podem ter resultado na completa extinção delas. Plantas de pequeno porte que habitam campos naturais de elevadas altitudes, as espécies investigadas tornaram-se mais vulneráveis ao desaparecimento, segundo o pesquisador.