Publicitário com 50 anos de carreira lançou livro e promoveu debate sobre criação e inteligência artificial nesta terça, 6 de outubro, no Teatro Adelaide Konder do Campus Professor Edison Villela, em Itajaí. O evento reuniu estudantes, profissionais e interessados do mercado criativo.
A palestra apresentada por Stalimir Vieira intitulada “Cabeças a prêmio: um mergulho no processo criativo pré-IA” resgatou e comparou métodos de criação publicitária anteriores às ferramentas de inteligência artificial com o panorama contemporâneo.
O publicitário discutiu uma pesquisa sobre os efeitos das tecnologias nas relações humanas entre a geração Z, ressaltando sentimentos de isolamento apesar da conectividade digital. Questionou também o uso excessivo de dados e algoritmos em seleções profissionais, argumentando que conhecer trajetórias e aspirações das pessoas é fundamental no mercado criativo.
“Precisamos colocar de novo gente para cuidar de gente. Você não pode ficar baseado apenas em dados e números; precisa conhecer as pessoas, entender o que elas sonham e o que elas ambicionam”, afirmou Vieira.
Para o publicitário, a inteligência artificial deve funcionar como instrumento, sem diminuir a centralidade do criador. “Eu vou usar a ferramenta, sim, para aperfeiçoar, enriquecer e trazer talvez insights que eu não tive. Mas a ideia nasce em mim”, argumentou.
Enfatizou também que o trabalho autoral nasce sempre da experiência individual de cada um. “Quando ela se conecta com uma demanda, você vai fazer uma leitura particular, com o seu jeito de olhar aquela demanda. É aí que nasce o trabalho verdadeiramente autoral”, complementou.
O evento marcou o lançamento da obra “Provocações: 99 artigos de um publicitário que perdeu o emprego, mas não a opinião”, que compila crônicas e reflexões sobre tendências do mercado publicitário brasileiro.
A atividade foi organizada pelo curso de Publicidade e Propaganda da Univali.
