Itajaí recebeu 28 mil moradores de outros estados em cinco anos

O último censo do país, feito em 2022, encontrou em Itajaí 28.146 moradores que cinco anos antes moravam em outro estado ou em outro país. É mais de um em cada dez habitantes de uma cidade que passou de 183.373 pessoas em 2010 para 264.054 em 2022, um crescimento de 44% em doze anos. O ritmo médio foi de 3,09% ao ano, segundo o IBGE. Itajaí é hoje o 109º município mais populoso do país.

O último censo do país, feito em 2022, encontrou em Itajaí 28.146 moradores que cinco anos antes moravam em outro estado ou em outro país. É mais de um em cada dez habitantes de uma cidade que passou de 183.373 pessoas em 2010 para 264.054 em 2022, um crescimento de 44% em doze anos. O ritmo médio foi de 3,09% ao ano, segundo o IBGE. Itajaí é hoje o 109º município mais populoso do país.

A série histórica mostra que o município nunca parou de crescer, mas acelerou. Eram 63,14 mil moradores em 1970, 86,46 mil em 1980, 119,63 mil em 1991 e 147,49 mil em 2000. Do ano 2000 para cá a cidade ganhou 116,5 mil moradores em 22 anos, mais do que os 84,3 mil que havia ganhado nos trinta anos anteriores.

População residente de Itajaí em cada censo, de 1970 a 2022. Fonte: IBGE.
População residente de Itajaí em cada censo, de 1970 a 2022. Fonte: IBGE.

Quem chega ainda vem principalmente do Sul, mas não só. Os maiores contingentes desses cinco anos vieram do Rio Grande do Sul (5.238 pessoas) e do Paraná (4.386), seguidos de São Paulo (3.645). O quarto lugar é a surpresa da lista: o Pará, com 2.637 moradores, mais do que o Rio de Janeiro (1.330), a Bahia (1.287), Sergipe (1.254) e Pernambuco (1.236). Somados os estados de cada região, o Nordeste inteiro mandou 5.956 pessoas para Itajaí no período e o Norte mandou 4.349, contra 5.371 do Sudeste.

Essa mudança de rota aparece de forma ainda mais clara quando se olha onde os moradores nasceram, e não de onde vieram. Em 2000, os nascidos na Região Sul eram 93,11% da população do município. Em 2022 são 80,69%, mesmo tendo crescido em número absoluto, de 137.337 para 213.059 pessoas. Os nascidos fora do Sul saltaram de 10.126 para 50.890 no mesmo período, cinco vezes mais.

Moradores de Itajaí por região de nascimento, em número de pessoas, nos censos de 2000, 2010 e 2022. Fonte: IBGE, tabela 631.
Moradores de Itajaí por região de nascimento, em número de pessoas, nos censos de 2000, 2010 e 2022. Fonte: IBGE, tabela 631.
Os mesmos dados em percentual da população do município. Fonte: IBGE, tabela 631.
Os mesmos dados em percentual da população do município. Fonte: IBGE, tabela 631.

O grupo que mais cresceu veio do Norte. Eram 305 pessoas nascidas na região em 2000, 547 em 2010 e 7.855 em 2022, ou seja, 25 vezes mais em 22 anos, com quase todo o salto na última década. Os nascidos no Nordeste passaram de 2.418 para 19.395 e formam hoje o maior grupo de fora do Sul. Em 2000 morava em Itajaí dois nordestinos e meio para cada cinco sudestinos, e agora os dois grupos estão praticamente empatados, com o Nordeste um pouco à frente: 19.395 contra 17.931.

Os três gráficos abaixo mostram a virada. Eles deixam de fora a Região Sul, que sozinha ocuparia toda a altura, e a escala do eixo muda de um ano para o outro: compare os números, não o tamanho das barras.

Censo 2000: moradores nascidos fora do Sul, em percentual da população. Os nascidos no Sul eram 93,11%. Fonte: IBGE.
Censo 2000: moradores nascidos fora do Sul, em percentual da população. Os nascidos no Sul eram 93,11%. Fonte: IBGE.
Censo 2010: o mesmo recorte. Os nascidos no Sul eram 90,18%. Fonte: IBGE.
Censo 2010: o mesmo recorte. Os nascidos no Sul eram 90,18%. Fonte: IBGE.
Censo 2022: os nascidos no Sul caíram para 80,69% e o Nordeste passou o Sudeste. Fonte: IBGE.
Censo 2022: os nascidos no Sul caíram para 80,69% e o Nordeste passou o Sudeste. Fonte: IBGE.

Do exterior chegaram 1.409 pessoas nos cinco anos anteriores ao censo, e duas nacionalidades respondem por 62% delas: 465 vieram da Venezuela e 409 do Haiti. Depois aparecem Argentina (63), Peru (62) e Estados Unidos (58). No acumulado, os moradores nascidos em outro país são 2.633, contra 498 em 2000, e pela primeira vez a série os coloca em 1% da população do município.

As duas medidas respondem a perguntas diferentes e por isso não batem entre si. Lugar de nascimento diz onde a pessoa nasceu, sem informar quando ela se mudou, e inclui quem chegou há trinta anos. Lugar de residência cinco anos antes mostra só o fluxo recente, e deixa de fora quem nasceu fora mas já morava aqui antes desse prazo. Nenhuma das duas mede quem saiu de Itajaí no período.

Vale dizer o que todos esses números são: a fotografia de 2022, o último censo realizado no país. Ela já tem quatro anos. Quem vive em Itajaí não precisa de tabela para notar que o movimento não parou desde então, mas não existe medição oficial desses quatro últimos anos, e por isso nada aqui os inclui. Se em doze anos a cidade ganhou 80.681 moradores e quase triplicou o número dos nascidos fora do Sul, como você acha que essa conta vai estar no próximo censo?

Fontes